quinta-feira, dezembro 08, 2016

QUADRINHOS ERÓTICOS #69


102 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

CCXP 2016


COMIC COM EXPERIENCE-SP 2016
ALEGRIAS E FRUSTRAÇÕES

Ao participar da edição de 2015, eu logo tive uma certeza: estaria presente novamente na edição seguinte, em 2016. E como manda o “manual do escoteiro”, comecei a organizar com antecedência tudo o que era necessário, aquisição de passagens, hotel, ingressos, reserva financeira para novas aquisições e a separação do material que eu levaria para ser autografado.


Durante os próximos 12 meses seguintes, que passaram voando, a alegria era acompanhar a programação e ver as atrações que aconteceriam nos quatro dias do evento. O anúncio da presença de Frank Quitely e Arthur Adams me convenceram de que aquela edição seria ainda melhor que a de 2015. Outros convidados foram sendo anunciados... Risso, Azarello, Simon Bisley, Alan Davis. A euforia começou a tomar conta das minhas emoções.

Seguindo o conselho de alguns amigos, que me disseram que o primeiro dia seria o melhor por ter um número inferior de visitantes, resolvi participar apenas dos dois primeiros dias, já que no ano passado quase morri de cansaço ao frequentar o São Paulo Expo por quatro dias consecutivos.


Chegou então o grande dia. Uma mala com 18 quilos de revistas e uma mochila com mais um tanto (fora as aquisições que pretendia fazer por lá).

Hotel e passagens confirmados, com “check-in” antecipado, para evitar dores de cabeça. Na hora de sair de casa, no começo do dia, a primeira decepção. O taxista conseguiu chegar com um atraso de 20 minutos na minha casa, mesmo usando o GPS. Pra piorar a situação, no meio do trajeto ele ainda parou para abastecer. Chegamos ao aeroporto no limite do tempo e na hora de pagar a corrida, mais um stress, o sujeito alegou não ter troco.

Finalmente embarcados, voo perfeito e chegada no horário determinado. De Guarulhos ao hotel pegamos um trânsito razoável, normal para São Paulo. Demoramos 45 minutos para fazer um trajeto que no ano passado foi feito em menos de 30.


E vamos embora para a CCXP. Metrô de primeira. Rapidinho na estação. O próximo passo foi pegar o ônibus que nos levaria até o São Paulo Expo. Como no ano passado, o transporte oferecido pelos organizadores foi de primeira, ônibus um atrás do outro, praticamente sem tempo de espera. Desde o ano passado eu fiquei impressionado com a qualidade desse serviço, que eu considero perfeito e digno de elogios. O interessante é que ninguém nunca tocou nesse assunto, nem de maneira negativa ou positiva.

Com um espaço muito maior nesta edição e com uma disposição diferenciada do “Artist Alley”, que agora ficaria no centro da exposição, lá estava eu na fila quilométrica para entrar no evento.


Começaram os problemas. O livro exigido para “meia-entrada”, que carreguei com tanto cuidado foi desprezado com um “jogue lá naquele monte”. Percebi que não deram muita atenção para este detalhe do livro e que muita gente não o levou e entraram numa boa.

O erro de centralizar a entrada em um só lugar foi repetido. Um amplo estacionamento é usado como local para aglomerar as pessoas, que aos poucos vão entrando. O problema é que depois essa entrada se afunila em uma estreita passagem com umas seis catracas. Me senti como se estivesse em um semáforo, que quando abre dá a impressão de que os carros não andam, porque dependem da velocidade do primeiro veículo. Seria interessante descentralizar tal entrada, colocando entradas auxiliares em outros pontos do prédio.

Alan Davis

Depois de enfrentar aquela multidão para chegar até as primeiras catracas de entrada, jogar o meu desprezado livro de meia entrada por uma janela, outra surpresa: eu havia esquecido o meu “E-Ticket” (um ingresso de papel) no hotel. Me fizeram sair da fila e procurar, lá atrás, na entrada do prédio, uma pessoa que resolveria meu problema. Localizei uma garota com um saco plástico repleto de E-Tickets. Mal expliquei minha situação para ela e a garota foi logo enfiando a mão no saco e me deu logo DOIS ingressos, sem qualquer questionamento. Até agora eu não entendi o PORQUE da existência desse maldito ingresso de papel, já que existe a credencial com código de barra e demais informações, inclusive com a exigência de documento com foto.


Lá dentro, com espaço de sobra, o tumulto era menor (pelo menos para circular pelos corredores). O grande problema é que as mesas dos artistas (artist alley) ficaram no centro do salão, circundadas por eventos paralelos com caixas acústicas poderosíssimas. O barulho era insuportável. Não dava pra conversar com ninguém se não fosse gritando ou ao “pé da orelha”.

No período em que permaneci no salão, das 13 às 19 horas, consegui apenas 6 autógrafos (Jae Lee, Alan Davis, Simon Bisley, Joe Bennett, Pedro Mauro e Gabriel Andrade Jr.). Só na fila do Simon eu fiquei por mais de uma hora e meia. Ficar na fila não é problema, duro é chegar lá na frente e encontrar um desenhista mal educado, com má vontade e que mal olha na sua cara, como foi o caso do Alan Davis. Jae Lee é um doce de pessoa, sorridente, atencioso e demonstrou boa vontade com todos os fãs. Simon Bisley é doidão, gente boa pacas.


Paul Pope não apareceu no primeiro dia, Frank Quitely, Azarello e Risso eu nem cheguei a ver. Pelo menos tive tempo para visitar alguns stands de editoras e lojas de revistas usadas. No final da tarde eu estava esgotado. Como não existem bancos para se sentar no salão, o jeito foi me sentar no chão mesmo.

Pior situação viveu o meu amigo Paulo Henrique. Focado em adquirir as estátuas com edições limitadas da IRON, ele foi direto para a fila para tentar adquirir a sua tão sonhada versão do Gavião (DC). Ficou na fila do meio-dia às 20 horas e não conseguiu adquirir seu exemplar, ficando apenas com uma do Octopus (Marvel). Não seria mais inteligente distribuir senhas para os interessados? Assim não perderiam tempo ficando na fila o dia todo. Talvez um cadastro antecipado via internet, limitando a aquisição de uma unidade por cada CPF.


Diante de tantos problemas, achei melhor abrir mão do meu segundo dia de visitação. Melhor perder meu ingresso do que perder meu preciso tempo. Tirei o dia para passear com minha esposa por São Paulo. O Paulo Henrique ainda arriscou um segundo dia na CCXP. Estava focado em adquirir sua estátua do Gavião. A decepção foi ainda maior. Chegou mais cedo, enfrentou fila novamente e foi surpreendido com a informação de que naquele dia só seriam vendidas mais 20 unidades, e pela sua posição na fila não sobraria nenhuma para ele. Desistiu. Comprou uma de “especuladores” na internet ao chegar em Goiânia.

Não pretendo voltar mais na CCXP, a não ser que tragam o Brian Bolland ou Mike Zeck, nesse caso, vale o sacrifício. O Paulo Henrique disse que irá prestigiar os “especuladores” e não perder mais seu tempo em filas eternas e gigantescas.


Em 2017 vou fazer uma experiência na FIQ de Belo Horizonte. Tenho certeza de que vou me divertir mais e ter contatos mais tranquilos com meus artistas prediletos. Comic Con é uma boa experiência, mas é traumatizante

terça-feira, dezembro 06, 2016

LIVRO - ELVIS E SUA PÉLVIS






DOWNLOAD 
versão em CBR

DOWNLOAD 
versão em PDF



ART BOOK GABRIEL ANDRADE JR


160 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

BELLA E BRONCO


BELLA & BRONCO #3
ÁGUAS DO SUL
75,2 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

ANTES DE WATCHMEN #2


ANTES DE WATCHMEN #2
MINUTEMEN
277 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

VALENTINA - GUIDO CREPAX


VALENTINA
HISTÓRIA DE O
Guido Crepax
367 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

BATMAN - EM ESPANHOL


BATMAN
LOS PADRES DEL DEMONIO
Dennis O'Neil e Neal Adams
(em espanhol)
286 páginas

272 MB

LINK PARA DOWNLOAD?




terça-feira, novembro 29, 2016

DIVULGAÇÃO


MONSTRO LOVECRAFTIANO VIRA TIRA DE HUMOR 

Imagine que uma criatura ancestral responsável pelo ressurgimento dos antigos. Agora imagine que esse monstro é um garotinho na escola vivendo todas as dificuldades de todas as crianças normais. Foi essa ideia maluca que Gian Danton e Toninho Lima tiveram ao criar a tira de humor As aventuras do Pequeno Xuxulu. 

A tira, publicada em página na internet, é uma referência à obra do escritor norte-americano HP Lovecraft. Lovecraft inovou ao colocar todos os seus contos em um mesmo universo e dessa forma criou uma das mais famosas mitologias modernas de terror incluindo o demônio Cthulhu e o livro maldito Necronomicon.



A ideia da tira surgiu da dificuldade de pronunciar o nome Cthulhu: “O próprio Lovecraft dizia que era um nome impronunciável por seres humanos, de modo que qualquer pronúncia seria possível. E, de brincadeira, eu pronunciava Xuxulu. Uma dia percebi que isso poderia ser uma deixa para fazer algo na linha de humor”. 

O humor, aliás, surge exatamente do estranhamento, por misturar o terror das histórias originais com uma narrativa e traços infantis. Assim, Xuxulu enfrenta problemas de crianças normais, como acordar de mal-humor, ter dificuldades para decorar o livro Necronomicon e até ter que dar o dinheiro do lanche para o valentão da escola (no caso, Dagon, outra criatura lovecraftiana). 



Gian Danton é roteirista de quadrinhos desde 1989 e ficou famoso por suas histórias de terror em parceria com Bené Nascimento e com a graphic novel Manticore, sobre o chupa-cabras, ganhadora de diversos prêmios. Foi um dos criadores do super-herói curitibano O Gralha. Para desenhar a história chamou o ilustrador Toninho Lima, que tem grande experiência em quadrinhos de terror e, ao mesmo tempo, em quadrinhos infantis. 

As aventuras do pequeno Xuxulu podem ser acompanhadas pela página do facebook (https://www.facebook.com/pequenoxuxulu). A página é atualizada com uma nova tira toda sexta-feira. 

DIVULGAÇÃO


CALAFRIO RESGATA 
CLÁSSICO DO TERROR NACIONAL 

Na sua edição 56 a revista Calafrio vai resgatar um clássico do terror nacional da década de 1990: a série "Zona do Crepúsculo", de Gian Danton e Bené Nascimento (Joe Bennett). 

A série foi publicada em dois números da própria Calafrio e uma edição especial da mesma revista no início da década de 1990 e chamou atenção por trazer influência dos autores britânicos, que um pouco antes haviam revolucionado o terror nos comics americanos com revistas como Monstro do Pântano, Sandman e Hellblazer.


Essas histórias marcaram uma fase de maturidade no desenho de Bené e apresentaram ao mercado o texto de Gian Danton, centrado principalmente no terror psicológico. 

As histórias fizeram tanto sucesso que o editor, Rodolfo Zalla, pediu uma história para fechar a trama. Os autores resolveram contar a história de Assad, o velho lojista que era um ponto em comum entre todas as narrativas. Essa história foi desenhada por Bené com pincel branco em fundo preto, uma técnica rara. Mas era a fase final da revista e essa história acabou sendo publicada na primeira edição da revista Graphic  Gótica - A Hora do Crepúsculo, da editora Nova Sampa. 

Assim, essa é a primeira vez que essas histórias são publicadas na íntegra na Calafrio e também a primeira vez que são reunidas em um único volume.


A edição ainda traz outras HQs clássicas, biografia dos dois autores, texto de Gian Danton contando o início da parceria e amizade da dupla, e ainda a seção de capas clássicas.

A revista tem 52 páginas ao preço de R$15,00. Os pedidos da edição e números atrasados podem ser feito pelo e-mail: revistacalafrio@gmail.com.

Description: https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif

domingo, novembro 27, 2016

COMANCHE - GREG & HERMAN


Tradução e letras:
PC CASTILHO

21,9 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


63,4 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


60,1 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


58,1 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


74,9 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


Tradução e letras:
PC CASTILHO

47,3 MB

LINK PARA DOWNLOAD?


55,1 MB

LINK PARA DOWNLOAD?

SAIU NOS JORNAIS


NÃO DEU NO NEW YORK TIMES
(Publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo, em 05 de fevereiro de 1988)

Agência Estado - Rio

A doença pegou Henfil de surpresa, quando estava filmando Tanga-Deu no New York Times. Internado, ninguém acreditou que fosse voltar. Mas ele teimou e voltou para acabar o filme, um último desafio. Henfil morreu na segunda-feira. Como ele mesmo previu, o New York Times não deu.


Depois que o hino da anistia, O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldair Blanc, e o Hino Nacional foram cantados, momentos antes de o corpo de Henrique de Souza Filho, o cartunista Henfil, ser enterrado no cemitério de São João Batista, no Rio às 16h30 de ontem, poucas das mais de 500 pessoas presentes conseguiram conter a emoção. Estavam ali dois dos personagens que serviram de inspiração para a música: Henfil e seu irmão Herbert, um morto e o outro debilitado pelo mesmo mal, a Aids, que atingiu ainda o outro irmão, o músico Francisco Mário, que, internado no hospital do Fundão, fez questão de, mesmo em cadeira de rodas, assistir ao sepultamento.

A todo momento chegavam políticos, intelectuais, artistas e amigos de Henfil. Em todos, o mesmo protesto contra o descaso das autoridades na fiscalização dos bancos de sangue. Lula, Luis Carlos prestes, Eduardo Suplicy, Antônio Callado, Alfonso Romano de Sant’ana, Otto Lara Resende, Darci Ribeiro, Ziraldo, Austragésilo de Athayde, Jair Meneguelli, Millôr Fernandes, Chico Caruso, o prefeito do Rio Saturnino Braga e até representantes dos ministérios de Saúde e da Previdência.


Para Betinho, o enterro do irmão foi um ato político de repúdio à política de saúde do governo. Hésio Cordeiro, presidente do Inamps, e Sergio Arouca, presidente da Fundação Osvaldo Cruz, apesar de garantirem que o governo estava com programas de controle de sangue, admitiram que a situação ainda está longe de ficar sob controle.

“Salvem o sangue do povo brasileiro.” Esse apelo dramático feito pelo cartunista Ziraldo estampado numa grande faixa no portão de entrada do cemitério, significava ontem o pensamento comum de parentes e amigos que comparecem ao velório de Henrique de Souza Filho, o Henfil. Hemofílico e vítima do vírus da Aids (contraído nas transfusões de sangue), Henfil resistiu a uma agonia de quase seis meses. “Este era o sentido de sua vida: lutar contra a morte com o mesmo vigor que enfrentou o autoritarismo e a miséria. Militante 24 horas por dia, nunca se entregou”, lembrou seu irmão, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.


Desde as primeiras horas da manhã de ontem, até o meio-dia, Betinho esteve visitando seu outro irmão, o músico Chico Mário, internado há 15 dias com os sintomas de Aids, para compartilhar a tristeza da família pela morte de Henfil.

“Henfil morreu devido à omissão política do governo. Omissão consciente de um governo que sabe o que tem que fazer, fala que está fazendo e, na verdade, não está fazendo nada para evitar que os hemofílicos morram de Aids. A morte do Henfil, representa um crime político contra o povo brasileiro. Discurso não cura Aids nem garante a qualidade do sangue a sua própria morte é a sua última denúncia”, desabafou Betinha.

                                                 Henfil e sua mãe.

Henfil foi um homem de denúncias. Foi ele quem calibrou a expressão “Diretas Já” e sofreu depois por ser contra o Colégio Eleitoral e, consequentemente, contra o governo de Tancredo Neves e seu vice, eleitos indiretamente. “Ele era um companheiro de caminhada de Teotônio Vilela e tinha a visão clara de que somente as eleições diretas responderiam aos anseios do povo brasileiro naquela ocasião. A solução de Tancredo significava compromisso: bastava ver o seu vice. Henfil estava certo, o vice José Sarney – não está dando certo. A transição se transformou numa grande transação”, lembrou Betinho.


O médico psicanalista Hélio Pelegrino, amigo de Henfil, chegou cedo ao velório e, depois, muito emocionado, disse que tinha perdido “um humorista lutador, extremamente inteligente, vítima de um escândalo que clama aos céus, como é contrair um vírus mortal através de transfusão de sangue”. Pelegrino não sabe como “ele conseguiu resistir por tanto tempo à morte. Por isso ele ainda sobrevive”. Mesmo antes de apresentar sintomas, Henfil fez o teste e sabia que estava com o vírus da Aids, assim como seus dois irmãos, Betinho e Chico Mário. A doença, porém, o pegou de surpresa, quando estava fazendo o filme Tanga – Deu no New York Times e precisou interromper os trabalhos, para ser internado na Clínica Bambina. Conseguiu recuperar-se das infecções e voltou ao filme, seu último grande objetivo. Vagner Tiso, que compôs a trilha sonora do Tanga lembrava ontem o drama de Henfil para conseguir terminar o filme: “Ele ficou internado pela primeira vez durante dois meses, época em que lhe mostrei a trilha sonora que havia concluído. Sinceramente, era difícil acreditar que ele ficasse bom para acabar o filme. Mas conseguiu recuperar-se e voltou para montar o filme, mixando as músicas que compus. Seria difícil terminar o filme sem ele. Henfil se salvou para salvar o filme”.


Ziraldo, Otto Lara Resende, Jaguar, além de políticos, do secretário da Saúde do Rio, Sérgio Arouca, e do ex-secretário-geral do Partido Comunista, Luís Carlos Prestes, estiveram presentes ao velório. A mãe de Henfil, Maria da Conceição, muito abalada com a morte do filho, permaneceu todo o tempo ao lado do caixão. O único filho do Henfil, Ivan, de 18 anos, estava com sua mãe, Lúcia, primeira esposa do cartunista. Sua segunda mulher, Gilda, também estava no velório.

SIMPLES, DIRETO E APAIXONADO

Ele era contra a sofisticação do sorriso. E tinha o coração sangrando pelo País.

Jotabê Medeiros


Quando Henfil era moleque, sua mãe enchia a casa de almofadas – que era para que ele não se cortasse. Almofada no fogão, na geladeira, nas quinas da mesa, na televisão. Todos os cuidados de dona Maria não impediram, no entanto, que na noite de anteontem, após 43 anos de contínuas transfusões, internações e peregrinações por novas terapias, Henfil morresse sem esperanças no Hospital São Vicente de Paulo, no Rio, após meses de agonia.

         Henfil morreu batendo firme numa convicção latino-americana, na crença na vida como uma realidade dialética, descritível, mutável. Um jornalista à moda antiga, militante, humanitário, realista e cartunista visionário, genial, antecipador, original, que chegou ao final meio incompreendido. O traço econômico e estilizado, apenas sugerido, não teve a recepção devida em seus últimos dias, talvez pela escancarada ruga na testa, o coração sangrando pelos sucessivos fiascos de um país que perdeu definitivamente a credibilidade. Nos últimos tempos, Henfil tivera sua última grande indisposição com a revista Isto É, que vetara sua carta da mãe por ele ter insistido na campanha das diretas, após o consenso preguiçoso em torno de Tancredo Neves.


         Era um sujeito que se aborrecia por coisas como a juventude limitar seu vocabulário em gírias repetitivas, que rejeitou convite da Hering para estampas seus Fradinhos em camisetas – achava que perderiam a mobilidade -, que não hesitava em “desacatar” publicamente gente como o coronel Erasmo Dias e já chamou o povo de “safado”. Suas últimas tiras, que reuniam a turma do Graúna, estão expirando na página de quadrinhos do Caderno 2, derradeiro reduto de um marco na história universal dos quadrinhos.

         A infância de Henrique de Souza Filho, nascido na pacata Ribeirão das Neves, em 1944, perdoadas as obviedades de implicações psicanalíticas, é o lugar em que começou o longo flerte do artista com o Brasil. Ex-aluno do Colégio Arnaldo, em que estudaram ainda Rubem Braga e Fernando Sabino, foi na escola que Henfil aprendeu que correr por fora era mais instrutivo. A hemofilia dava-lhe um álibi suficientemente forte para que entrasse raramente nas salas de aula, mas mergulhasse como ninguém no mundo subterrâneo da cidade e do seu bairro em Belo Horizonte, Santa Efigênia, que ele apelidou jocosamente de “complexo hospitalar-policial-esportivo-miserável”.


         Em 1965, começou a trabalhar no Diário de Minas, fazendo os cartuns que aprendera já no colégio noturno, o exílio dos escolares repetentes. Quem o descobriu como chargista foi o escritor Roberto Drummond, que à época dirigia a revista Alterosa (onde Henfil colaborou). Catapultado ao eixo Rio-São Paulo, Henfil veio trabalhar no Jornal dos Sports. Os Fradins (Baixim e Cumprido), que já existiam como personagens, só vieram a explodir nas páginas do Pasquim, em 1969. Em 1961, saiu um álbum que reunia os trabalhos do Pasquim, e, dois anos depois, os frades católicos de Henfil viram revista mensal. De 73 a 75, durante tratamento numa clínica nos EUA, ele conseguiu um contrato para os Fradinhos na Universal Press Syndicate.


         Nos EUA, eles eram The Mad Monks. Um mês de contrato. Fradins aprontando das suas no Detroit News, Chicago Tribune,Toronto Sun e o Seven Days. “Em todos, a repercussão foi imediata”, contou Henfil. “Desfavorável, é claro”. Os editores tacharam a tira de sick (literalmente, doente). Essas peripécias estão magnificamente descritas no livro Diário de um Cucaracho, de 1983 (disponível em scan no HQ Point). Ele não admitia ficar com a pecha de cartunista, somente. “Sou um homem de criação”, dizia. Foi isso que o levou a filmar (além de atuar e fazer o roteiro) figurino e cenário Deu no New York Times – filme à procura de um distribuidor -, montar um espetáculo teatral, a Revista do Henfil: produzir e escrever o quadro antológico de tevê TV Homem; escrever cinco livros e ainda sair ileso dos tortuosos descaminhos políticos nacionais, sem jamais ter omitido nem uma opinião sequer a respeito.


         “Sou contra a sofisticação do sorriso”, definiu-se, faz algum tempo. Simples, direto, apaixonado, lúcido, Henfil deixou o Bode de Orelana, Ubaldo, O Paranóico, Graúna, Zeferino, Baixim, Cumprido, saudades, saudades, saudades...


UM CARINHA QUE SEMPRE FOI GENTE DEMAIS

“O assassino de Henfil é o governo brasileiro que não conseguiu nem mesmo controlar os bancos de sangue, um problema já superado por vários países. Assim, os 84% dos hemofílicos correm o mesmo risco.”
Paulo Cesar Bonfim
Presidente do Gapa (Grupo de apoio a Prevenção à Aids)

“A primeira e única vez que ousei a gravar um disco convidei Henfil para fazer a capa; foi em 83. Com ele aprendi a enxugar o texto, desprezar o supérfluo.”
Serginho Leite
humorista

“Repetindo a frase de um cara, digo que Henfil foi um homem que fez tudo com muita ternura e sem perder o amor pelo ser humano.”
César Vieira
dramaturgo


“Nossa luta continua. Perdemos um grande amigo e temos outro em risco. O espetáculo Bomba H, em benefício dos aidéticos, foi idealizado por mim, mas só foi possível graças ao trabalho fantástico de um grupo de pessoas.”
Carlito Maia
publicitário

“Saneamento já aos bancos de sangue! Há milhares de pessoas que estão condenadas ao mesmo destino de Henfil. O problema transcende aos grupos homossexuais. Estamos todos em perigo.”
Cacá Rosset
Ator


“O que caracterizava Henfil era uma extraordinária integridade humana. Essa integridade contribuiu ao lado de seus dons artísticos para fazer dele um dos autores mais expressivos do cartunismo brasileiro.”
Antônio Candido
escritor

“O momento é de solidariedade e ação. Não vamos ficar apenas neste show. A gravidade da situação exige mobilização.”
Paulo Caruso
cartunista

“Tenho pouco a dizer. O Brasil perdeu um dos grandes cartunistas; e eu, um amigo.”
Luís Fernando Veríssimo
escritor



“Minhas ideias politico-sociais batiam com as dele. A morte de Henfil deveria provocar uma reação neste governo, que investe bilhões em bobagens enquanto assistimos a cenas desesperadoras na área da saúde.”
Osmar Santos
radialista

“Henfil criou personagens autenticamente brasileiros. Traço solto, de alto nível, que poderia competir com todas as tiras estrangeiras que ocupam espaços em nossos jornais.”
Cláudio Tozzi
artista plástico

“Participei do show em solidariedade dupla. Não só pela família do Henfil, mas por todos os aidéticos do Brasil que precisam de melhores cuidados.”
Consuelo Leandro

atriz